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Barroso estava certo. Seu erro foi ceder a pressões e recuar


Por Raimundo de Holanda

13/07/2023 20h15 — em
Bastidores da Política


  • ...Foi uma excepcionalidade, fora da curva, quando o STF inibiu a extrema direita e permitiu a recomposição da autoridade perdida. Ali ocorreu a derrota do bolsonarismo

O ministro Luiz Roberto Barroso não errou quando disse em encontro da União Nacional dos Estudantes: “nós derrotamos o bolsonarismo”. O Supremo Tribunal  Federal apressou-se em divulgar nota na qual diz que o ministro não se referia a nenhuma instituição ( leia-se Corte). O que o ministro não disse foi: “nós derrotamos Bolsonaro”, o que teria outras implicações. Mas bolsonarismo é derivado da liderança de Bolsonaro, contra o qual o Supremo teve evidente papel no seu enfraquecimento. Barroso só errou ao pedir desculpas e a explicar o inexplicável: que não disse exatamente o que disse.

A reação ao movimento de 8 de janeiro, com a instauração do inquérito dos atos antidemocráticos, com mais de 2 mil prisões, ocorreu por decisão do ministro Alexandre de Moraes, que assumiu poderes excepcionais, de Executivo, em momento de vácuo político: mandou prender, mobilizou as forças de segurança e o próprio ministro da Justiça se reportou a ele. 

Foi uma excepcionalidade, fora da curva,  que inibiu a extrema direita e permitiu a recomposição da autoridade perdida. Ali ocorreu a derrota do bolsonarismo.

Ou há alguma dúvida que Moraes foi figura decisiva na desmobilização do aparato bolsonarista?  Que Moraes encarnava o papel de Ministro da Suprema Corte? 

“A Democracia brasileira não irá mais suportar a ignóbil politica de apaziguamento(…)Os agentes públicos (atuais e anteriores) que continuarem a se portar dolosamente dessa maneira, pactuando covardemente com a quebra da Democracia e a instalação de um estado de exceção, serão responsabilizados”. Moraes falou naquele momento delicado para o País  com a autoridade de um chefe de Estado. E sua fala inibiu a direita e as decisões posteriores, com prisões, apequenaram o bolsonarismo.

Barroso está certo. Não tinha que pedir desculpas. Nem o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, reagir da forma  que reagiu, pedindo explicações ao ministro…Ou ele não foi um dos primeiros a elogiar o papel de Moraes e do Supremo em reação ao malfadado golpe de estado dos bolsonaristas? 

E não seria um exagero dizer que se o STF inibiu o Bolsonarismo, o TSE deixou Bolsonaro fora do jogo político,  ao declarar sua inelegibilidade por 8 anos. 

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ASSUNTOS: bolsonarismo, Luiz Roberto Barroso, STF, UNE

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.